sábado, 2 de outubro de 2010

Democracia dos Injustos (poesia)

Se é certa a morte

Que calada nos espreita,

Não é digno aquele

Que bovinamente a cicuta aceita.

Veneno imposto por um qualquer filho-da-puta

Que no poder se instala pelo engodo.

Ajeita a vida de parentes e amigos,

Barganhando as partes pelo todo


Eleito, recita princípios, leis e decretos.

Mas a verdade, essa ninguém contesta:

Prioriza apenas mulher, filhos e netos,

Irmãos e sobrinhos nomeados pela fresta.


Democracia torpe feita por e para injustos.

Sem-vergonhas que com suas gravatas de seda italiana

Desviam dinheiro público pra bancar seus próprios custos.

Canalhas inúteis de notória e podre fama.


Desonestos que só pensam em privilegiar os seus.

Merdas que governam sem eira nem beira,

Orgulhando-se da própria sujeira,

Bancada pela desgraça de quem os elegeu.



(João Cândido Martins - 02/10/2010)



domingo, 8 de novembro de 2009

Blue Sun - 1973 - Blue Sun




























Grupo dinamarquês surgido em 69, Blue Sun ficou conhecido por seus longos improvisos. Forte presença do sax e do piano. A fama da banda não chegou a ultrapassar os limites da Dinamarca e as informações são escassas, mas consta que na região de Copenhagen, havia um verdadeiro culto ao grupo. Blue Sun se tornou durante um tempo sinônimo de contracultura naquele país. A música que dá título ao disco ajuda a entender o porquê.



01 - Gryets vinger
02 - Blue Sun
03 - Tareperseren
04 - Efterar
05 - Son af solen
06 - Bladene falder
07 - Ivalo Og Liza
08 - Solhverv



  • Poul Ehlers - bass
  • Bo Jacobsen - drums
  • Jan Kaspersen - piano
  • Niels Pontoppidan - guitar
  • Dale Smith - vocals, percussion
  • Jesper Zeuthen - sax
  • Søren Berggreen - sax, flute, harmonica
  • Leif Falk - congas, vocals
  • Ole Kühl - sax
  • Ole Nordenhof - piano, organ
  • Bo Thrige Andersen - drums
  • Stefan Borum - keyboards
  • Torben Bruun - guitar
  • Preben Eriksen - guitar
  • Richard Greenwood - vocals, violin
  • Jytte Pilloni - vocals


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Maceo and all the King's Men - 1970 - Doing Their Own Thing






























O Saxofonista Maceo Parker foi uma figura importante do funk americano dos anos 60/70. Participou do JB Horns (grupo que acompanhava James Brown) e também fez parte do Parliament/Funkadelic.

Em 70, Maceo montou seu próprio grupo, Maceo and All
The King's Men, com o qual lançou três discos até 75. Pra quem gosta de funk
60/70 e música black em geral, esse disco é de audição obrigatória.




01 - Maceo
02 - Got To Get 'Cha
03 - Southwick
04 - Funky Women
05 - Shake It Baby
06 - Better Half
07 - Don't Waste This World Away
08 - I Remember Mr. Banks
09 - Mag-Poo
10 - Thank You (Falletinme Be Mice Elf Agin)





























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Charles Bukowski - 1978 - Mulheres (Livro)



























Traduzido para o português usado em Portugal.


À nossa esquerda, estava sentada uma mulher. Tinha uns quarenta e tais. Ao meu lado, Tammie dormia. A mulher olhou para mim.

«Que idade tem ela?», perguntou-me.

De repente fez-se silêncio no avião. As pessoas que estavam perto de nós, escutavam.

«Vinte e três.»

«Parece ter dezassete.»

«Tem vinte e três.»

«Passou duas horas a maquilhar-se e agora adormece.»

«Foi mais ou menos uma hora.»

«Vão para Nova Iorque?», perguntou a senhora.

«Sim.»

«Ela é sua filha?»

«Não, não sou nem pai nem avô dela. Não tenho nenhum laço de parentesco com ela. É minha namorada e vamos para Nova Iorque.» Já lia as parangonas (manchetes) nos olhos dela:

UM PERVERTIDO DE HOLLYWOOD DROGA RAPARIGA DE DEZESSETE ANOS, LEVA-A PARA NOVA IORQUE, ONDE A VIOLA. E VENDE-A DEPOIS A VÁRIOS VAGABUNDOS

A senhora do interrogatório desistiu. Estendeu-se no assento e fechou os olhos. A sua cabeça escorregou para o meu lado. Parecia que estava sobre o meu estômago. Agarrado a Tammie, eu olhava para aquela cabeça. Perguntei-me se ela se importaria que eu lhe pregasse nos lábios um grande beijo. Entesei-me outra vez.

Estávamos prestes a aterrar. Tammie parecia muito mole. Aquilo preocupou-me. Apertei-lhe o cinto.

«Tammie, já estamos em Nova Iorque! Vamos aterrar! Tammie, acorda.

Nenhuma resposta. Uma overdose! Agarrei-lhe no pulso. Não senti nada. Olhei para os seus enormes seios. Queria ver se ela respirava. Os seios não se mexiam. Levantei-me e encontrei uma hospedeira (aeromoça).

«Por favor, senhor, volte para o seu lugar. Vamos aterrar.»

«Escute, estou preocupado. A minha namorada não acorda.»

«Acha que ela está morta?», murmurou ela.

«Não sei», sussurrei em resposta.

«Está bem. Assim que aterrarmos vou lá.»

O avião começou a descer. Fui até à retrete e molhei algumas toalhas de papel. Voltei a sentar-me ao lado de Tammie e esfreguei-lhe a cara. Desapareceu toda a maquilhagem. Tammie não reagiu.

«Acorda, sua puta!»

Pus as toalhas entre os seus seios. Nada. Nenhum gesto. Desisti. Teria de enviar o seu corpo para L. A. Teria de dar explicações à mãe. Vai odiar-me.

Aterrámos. Os passageiros levantaram-se e fizeram bicha (fila) para descer. Continuei sentado. Abanei-a e belisquei-a.

«É Nova Iorque, Ruiva. A maçã podre. Acaba com essa merda.»

A hospedeira veio e abanou Tammie.

«O que se passa, querida?»

Tammie começou a reagir. Mexeu-se. Depois abriram-se-lhe os olhos. Só por causa duma nova voz. Ninguém dá atenção a uma voz familiar. As vozes familiares tornam-se parte integrante da pessoa, como uma unha.

Tammie tirou o espelho e começou a pentear-se. A hospedeira dava-lhe pancadinhas no ombro. Levantei-me para tirar os vestidos do compartimento por cima de nós. Os sacos também lá estavam. Tammie continuou a olhar-se ao espelho e a pentear-se.

«Tammie, estamos em Nova Iorque. Vamos sair.»

Levantou-se logo. Eu levava os dois sacos e os vestidos. Ela saiu do avião a abanar o traseiro. Segui-a."





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Mort Walker - 1991 - Recruta Zero (40 Anos)






















Recruta Zero - 40 Anos

Criação: Mort Walker




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Pat Mills & Kevin O'Neill - 1986 - A Era Metalzóica (Quadrinhos)




























A Era Metalzóica - 1986

Publicado no Brasil em 89
Série Graphic Novel, número 9 - Editora Abril


Texto: Pat Mills
Arte: Kevin O'Neil




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Jerry Garcia & Howard Wales - 1971 - Hooteroll?


























O guitarrista Jerry Garcia sempre esteve envolvido em projetos paralelos ao Grateful Dead. O primeiro deles foi essa colaboração com Howard Wales, tecladista e organista que já havia tocado com o Dead no disco American Beauty. Wales tinha no curriculum a trilha sonora do western surreal El Topo, além de colaborações com James Brown.

A capa do disco foi desenhada por Abdul Mati Klarwein, o mesmo artista que elaborou a capa do disco Bitches Brew, de Miles Davis. A ligação não é apenas visual: algumas músicas se aproximam bastante da sonoridade Miles Davis da fase jazz rock. Um exemplo é o tema de abertura, Morning in Marin. Em alguns momentos o lado funk fala alto como South Side Strut, mas também há espaço para improvisos floydianos como em Up from the Desert, que é retomada no tema que conclui o disco, Evening in Marin.

Garcia era escolado em jams psicodélicas, mas aqui ele se desenvolve tranquilamente por outros ritmos. O saxofonista e flautista Martin Fierro merece menção pela sutileza. Aliás todos os músicos que participaram desse disco continuariam colaborando com Garcia em outros projetos.


Curly Cook - Guitar (Rhythm)
Martin Fierro - Flute, Saxophone, Horn Arrangements
Jerry Garcia - Guitar
John Kahn - Bass
Michael Marinelli - Drums
Bill Vitt - Drums
Howard Wales - Organ, Piano



01 - Morning in Marin 7:01
02 - Da Birg Song 2:39
03 - South Side Strut 5:42
04 - Up from the Desert 3:05
05 - DC-502 3:41
06 - One A.M. Approach 4:41
07 - Uncle Martini's 3:12
08 - Evening in Marin 4:10














Wales and Garcia



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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mutantes - 1966/1972 - Gravações Alternativas (Unofficial Records)

























Não há muito material alternativo dos Mutantes na internet e a maior parte do que existe é do período 68/69. Compreende compactos, apresentações em programas de tv, um jingle para a Shell, pequenas inserções em trilhas sonoras... Quase o mesmo que se encontra no Youtube. A qualidade das gravações não é exatamente a perfeição, mas são músicas que possuem a validade do registro histórico.

A coletânea começa nos grupos embrionários O'Seis e Sueli & Os Kanticus e vai até 72, com Mande um Abraço pra Velha, música que marcou a última participação de Rita Lee no grupo. Mande um Abraço pra Velha foi inscrita no VII Festival Internacional da Canção, promovido pela Rede Globo. Já trazia fortes elementos de rock progressivo, mas usados em tom de paródia ao próprio Festival.

Como curiosidade, as músicas dos Mutantes para o filme As Amorosas, de Walter Hugo Khouri.


Arnaldo Baptista - Baixo e teclados
Rita Lee - Voz, mini-moog, triângulo, theremin, etc
Sérgio Dias - Violão e guitarra
Dinho Leme - Bateria (a partir de 68)
Liminha - Baixo (a partir de 69/70)



01 - 1966 - O Suicida (O'Seis)
02 - 1966 - Apocalipse (O'Seis)
03 - 1968 - Que Bacana (Sueli & Os Kanticus)
04 - 1968 - Esperanto (Sueli & Os Kanticus)
05 - 1968 - Gilberto Gil e Os Mutantes-Domingo no Parque (ao vivo TV Record)
06 - 1968 - Glória Ao Rei Dos Confins Do Além
07 - 1968 - As Amorosas (Original Sound Track of As Amorosas)
08 - 1968 - Misteriosas Rosas Brancas (Original Sound Track of As Amorosas)
09 - 1968 - O Tigre do Inferno (Original Sound Track of As Amorosas)
10 - 1969 - Domingo no Parque (com Gilberto Gil ao vivo na Tv Cultura)
11 - 1969 - Dois Mil e Um (ao vivo na Tv Cultura)
12 - 1969 - Fuga No.2 (ao vivo na Tv Cultura)
13 - 1969 - Quem Tem Medo de Brincar de Amor (ao vivo na Tv Cultura)
14 - 1969 - Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo (ao vivo na Tv Cultura)
15 - 1969 - Panis et Circensis (ao vivo na Tv Cultura)
16 - 1969 - Ando Meio Desligado - Não Faz Marola (compacto)
17 - 1969 - Ando meio Desligado (ao vivo)
18 - 1969 - Banho De Lua 2001 (Ao Vivo TV 1968)
19 - 1969 - Jingle da Shell
20 - 1971 - Benvinda (Programa Som Livre Exportação - TV)
21 - 1972 - Mande Um Abraço Pra Velha (VII FIC)



Encontrei essas gravações no Eu Ovo


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Raphael Rabello & Dino 7 Cordas - 1991





























Momento histórico do violão brasileiro. Encontro entre Dino 7 Cordas (Horondino José da Silva, companheiro de Jacob do Bandolim no conjunto Época de Ouro) e Raphael Rabello, um virtuose de personalidade inconfundível. Possuía o que hoje se costuma chamar de assinatura musical, um traço distintivo.

Temas de Pixinguinha, Garoto, Benedito Lacerda, Ernesto Nazareth, Alcyr Pires Vermelho e Lamartine Babo interpretados de forma afiada e criativa. Sem esquecer as músicas de João Pernambuco, um nome injustamente pouco lembrado. O musicólogo Mozart de Araújo entende que as composições para violão de João Pernambuco têm a mesma importância para a música brasileira que as composições para piano de Ernesto Nazareth.

Raphael Rabello morreu alguns anos após o lançamento desse disco, mas gravações como Desvairada, do compositor Garoto, mostram o instrumentista no auge.



Dino 7 Cordas - violão 7 cordas, arranjos
Rafael Rabello - violão, arranjos
Jorginho do Pandeiro - pandeiro
Celsinho Silva - percussão
Neco - cavaquinho




01 - Conversa de Botequim (Noel Rosa)
02 - Jongo (João Pernambuco)
03 - Escovado (Ernesto Nazareth)
04 - Alma de Violinos (Lamartine Babo / Alcyr Pires Vermelho)
05 - Um a Zero (Pixinguinha / Benedito Lacerda)
06 - Odeon (Ernesto Nazareth)
07 - Sons de Carrilhões (João Pernambuco)
08 - Segura Ele (Pixinguinha / Benedito Lacerda)
09 - Desvairada (Garoto)
10 - Graúna (João Pernambuco)
11 - Sonho de Magia (João Pernambuco)



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