domingo, 8 de novembro de 2009

Blue Sun - 1973 - Blue Sun




























Grupo dinamarquês surgido em 69, Blue Sun ficou conhecido por seus longos improvisos. Forte presença do sax e do piano. A fama da banda não chegou a ultrapassar os limites da Dinamarca e as informações são escassas, mas consta que na região de Copenhagen, havia um verdadeiro culto ao grupo. Blue Sun se tornou durante um tempo sinônimo de contracultura naquele país. A música que dá título ao disco ajuda a entender o porquê.



01 - Gryets vinger
02 - Blue Sun
03 - Tareperseren
04 - Efterar
05 - Son af solen
06 - Bladene falder
07 - Ivalo Og Liza
08 - Solhverv



  • Poul Ehlers - bass
  • Bo Jacobsen - drums
  • Jan Kaspersen - piano
  • Niels Pontoppidan - guitar
  • Dale Smith - vocals, percussion
  • Jesper Zeuthen - sax
  • Søren Berggreen - sax, flute, harmonica
  • Leif Falk - congas, vocals
  • Ole Kühl - sax
  • Ole Nordenhof - piano, organ
  • Bo Thrige Andersen - drums
  • Stefan Borum - keyboards
  • Torben Bruun - guitar
  • Preben Eriksen - guitar
  • Richard Greenwood - vocals, violin
  • Jytte Pilloni - vocals


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Maceo and all the King's Men - 1970 - Doing Their Own Thing






























O Saxofonista Maceo Parker foi uma figura importante do funk americano dos anos 60/70. Participou do JB Horns (grupo que acompanhava James Brown) e também fez parte do Parliament/Funkadelic.

Em 70, Maceo montou seu próprio grupo, Maceo and All
The King's Men, com o qual lançou três discos até 75. Pra quem gosta de funk
60/70 e música black em geral, esse disco é de audição obrigatória.




01 - Maceo
02 - Got To Get 'Cha
03 - Southwick
04 - Funky Women
05 - Shake It Baby
06 - Better Half
07 - Don't Waste This World Away
08 - I Remember Mr. Banks
09 - Mag-Poo
10 - Thank You (Falletinme Be Mice Elf Agin)





























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Charles Bukowski - 1978 - Mulheres (Livro)



























Traduzido para o português usado em Portugal.


À nossa esquerda, estava sentada uma mulher. Tinha uns quarenta e tais. Ao meu lado, Tammie dormia. A mulher olhou para mim.

«Que idade tem ela?», perguntou-me.

De repente fez-se silêncio no avião. As pessoas que estavam perto de nós, escutavam.

«Vinte e três.»

«Parece ter dezassete.»

«Tem vinte e três.»

«Passou duas horas a maquilhar-se e agora adormece.»

«Foi mais ou menos uma hora.»

«Vão para Nova Iorque?», perguntou a senhora.

«Sim.»

«Ela é sua filha?»

«Não, não sou nem pai nem avô dela. Não tenho nenhum laço de parentesco com ela. É minha namorada e vamos para Nova Iorque.» Já lia as parangonas (manchetes) nos olhos dela:

UM PERVERTIDO DE HOLLYWOOD DROGA RAPARIGA DE DEZESSETE ANOS, LEVA-A PARA NOVA IORQUE, ONDE A VIOLA. E VENDE-A DEPOIS A VÁRIOS VAGABUNDOS

A senhora do interrogatório desistiu. Estendeu-se no assento e fechou os olhos. A sua cabeça escorregou para o meu lado. Parecia que estava sobre o meu estômago. Agarrado a Tammie, eu olhava para aquela cabeça. Perguntei-me se ela se importaria que eu lhe pregasse nos lábios um grande beijo. Entesei-me outra vez.

Estávamos prestes a aterrar. Tammie parecia muito mole. Aquilo preocupou-me. Apertei-lhe o cinto.

«Tammie, já estamos em Nova Iorque! Vamos aterrar! Tammie, acorda.

Nenhuma resposta. Uma overdose! Agarrei-lhe no pulso. Não senti nada. Olhei para os seus enormes seios. Queria ver se ela respirava. Os seios não se mexiam. Levantei-me e encontrei uma hospedeira (aeromoça).

«Por favor, senhor, volte para o seu lugar. Vamos aterrar.»

«Escute, estou preocupado. A minha namorada não acorda.»

«Acha que ela está morta?», murmurou ela.

«Não sei», sussurrei em resposta.

«Está bem. Assim que aterrarmos vou lá.»

O avião começou a descer. Fui até à retrete e molhei algumas toalhas de papel. Voltei a sentar-me ao lado de Tammie e esfreguei-lhe a cara. Desapareceu toda a maquilhagem. Tammie não reagiu.

«Acorda, sua puta!»

Pus as toalhas entre os seus seios. Nada. Nenhum gesto. Desisti. Teria de enviar o seu corpo para L. A. Teria de dar explicações à mãe. Vai odiar-me.

Aterrámos. Os passageiros levantaram-se e fizeram bicha (fila) para descer. Continuei sentado. Abanei-a e belisquei-a.

«É Nova Iorque, Ruiva. A maçã podre. Acaba com essa merda.»

A hospedeira veio e abanou Tammie.

«O que se passa, querida?»

Tammie começou a reagir. Mexeu-se. Depois abriram-se-lhe os olhos. Só por causa duma nova voz. Ninguém dá atenção a uma voz familiar. As vozes familiares tornam-se parte integrante da pessoa, como uma unha.

Tammie tirou o espelho e começou a pentear-se. A hospedeira dava-lhe pancadinhas no ombro. Levantei-me para tirar os vestidos do compartimento por cima de nós. Os sacos também lá estavam. Tammie continuou a olhar-se ao espelho e a pentear-se.

«Tammie, estamos em Nova Iorque. Vamos sair.»

Levantou-se logo. Eu levava os dois sacos e os vestidos. Ela saiu do avião a abanar o traseiro. Segui-a."





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Mort Walker - 1991 - Recruta Zero (40 Anos)






















Recruta Zero - 40 Anos

Criação: Mort Walker




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Pat Mills & Kevin O'Neill - 1986 - A Era Metalzóica (Quadrinhos)




























A Era Metalzóica - 1986

Publicado no Brasil em 89
Série Graphic Novel, número 9 - Editora Abril


Texto: Pat Mills
Arte: Kevin O'Neil




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Jerry Garcia & Howard Wales - 1971 - Hooteroll?


























O guitarrista Jerry Garcia sempre esteve envolvido em projetos paralelos ao Grateful Dead. O primeiro deles foi essa colaboração com Howard Wales, tecladista e organista que já havia tocado com o Dead no disco American Beauty. Wales tinha no curriculum a trilha sonora do western surreal El Topo, além de colaborações com James Brown.

A capa do disco foi desenhada por Abdul Mati Klarwein, o mesmo artista que elaborou a capa do disco Bitches Brew, de Miles Davis. A ligação não é apenas visual: algumas músicas se aproximam bastante da sonoridade Miles Davis da fase jazz rock. Um exemplo é o tema de abertura, Morning in Marin. Em alguns momentos o lado funk fala alto como South Side Strut, mas também há espaço para improvisos floydianos como em Up from the Desert, que é retomada no tema que conclui o disco, Evening in Marin.

Garcia era escolado em jams psicodélicas, mas aqui ele se desenvolve tranquilamente por outros ritmos. O saxofonista e flautista Martin Fierro merece menção pela sutileza. Aliás todos os músicos que participaram desse disco continuariam colaborando com Garcia em outros projetos.


Curly Cook - Guitar (Rhythm)
Martin Fierro - Flute, Saxophone, Horn Arrangements
Jerry Garcia - Guitar
John Kahn - Bass
Michael Marinelli - Drums
Bill Vitt - Drums
Howard Wales - Organ, Piano



01 - Morning in Marin 7:01
02 - Da Birg Song 2:39
03 - South Side Strut 5:42
04 - Up from the Desert 3:05
05 - DC-502 3:41
06 - One A.M. Approach 4:41
07 - Uncle Martini's 3:12
08 - Evening in Marin 4:10














Wales and Garcia



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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mutantes - 1966/1972 - Gravações Alternativas (Unnoficial Records)

























Não há muito material alternativo dos Mutantes na internet e a maior parte do que existe é do período 68/69. Compreende compactos, apresentações em programas de tv, um jingle para a Shell, pequenas inserções em trilhas sonoras... Quase o mesmo que se encontra no Youtube. A qualidade das gravações não é exatamente a perfeição, mas são músicas que possuem a validade do registro histórico.

A coletânea começa nos grupos embrionários O'Seis e Sueli & Os Kanticus e vai até 72, com Mande um Abraço pra Velha, música que marcou a última participação de Rita Lee no grupo. Mande um Abraço pra Velha foi inscrita no VII Festival Internacional da Canção, promovido pela Rede Globo. Já trazia fortes elementos de rock progressivo, mas usados em tom de paródia ao próprio Festival.

Como curiosidade, as músicas dos Mutantes para o filme As Amorosas, de Walter Hugo Khouri.


Arnaldo Baptista - Baixo e teclados
Rita Lee - Voz, mini-moog, triângulo, theremin, etc
Sérgio Dias - Violão e guitarra
Dinho Leme - Bateria (a partir de 68)
Liminha - Baixo (a partir de 69/70)



01 - 1966 - O Suicida (O'Seis)
02 - 1966 - Apocalipse (O'Seis)
03 - 1968 - Que Bacana (Sueli & Os Kanticus)
04 - 1968 - Esperanto (Sueli & Os Kanticus)
05 - 1968 - Gilberto Gil e Os Mutantes-Domingo no Parque (ao vivo TV Record)
06 - 1968 - Glória Ao Rei Dos Confins Do Além
07 - 1968 - As Amorosas (Original Sound Track of As Amorosas)
08 - 1968 - Misteriosas Rosas Brancas (Original Sound Track of As Amorosas)
09 - 1968 - O Tigre do Inferno (Original Sound Track of As Amorosas)
10 - 1969 - Domingo no Parque (com Gilberto Gil ao vivo na Tv Cultura)
11 - 1969 - Dois Mil e Um (ao vivo na Tv Cultura)
12 - 1969 - Fuga No.2 (ao vivo na Tv Cultura)
13 - 1969 - Quem Tem Medo de Brincar de Amor (ao vivo na Tv Cultura)
14 - 1969 - Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo (ao vivo na Tv Cultura)
15 - 1969 - Panis et Circensis (ao vivo na Tv Cultura)
16 - 1969 - Ando Meio Desligado - Não Faz Marola (compacto)
17 - 1969 - Ando meio Desligado (ao vivo)
18 - 1969 - Banho De Lua 2001 (Ao Vivo TV 1968)
19 - 1969 - Jingle da Shell
20 - 1971 - Benvinda (Programa Som Livre Exportação - TV)
21 - 1972 - Mande Um Abraço Pra Velha (VII FIC)



Encontrei essas gravações no Eu Ovo


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Raphael Rabello & Dino 7 Cordas - 1991





























Momento histórico do violão brasileiro. Encontro entre Dino 7 Cordas (Horondino José da Silva, companheiro de Jacob do Bandolim no conjunto Época de Ouro) e Raphael Rabello, um virtuose de personalidade inconfundível. Possuía o que hoje se costuma chamar de assinatura musical, um traço distintivo.

Temas de Pixinguinha, Garoto, Benedito Lacerda, Ernesto Nazareth, Alcyr Pires Vermelho e Lamartine Babo interpretados de forma afiada e criativa. Sem esquecer as músicas de João Pernambuco, um nome injustamente pouco lembrado. O musicólogo Mozart de Araújo entende que as composições para violão de João Pernambuco têm a mesma importância para a música brasileira que as composições para piano de Ernesto Nazareth.

Raphael Rabello morreu alguns anos após o lançamento desse disco, mas gravações como Desvairada, do compositor Garoto, mostram o instrumentista no auge.



Dino 7 Cordas - violão 7 cordas, arranjos
Rafael Rabello - violão, arranjos
Jorginho do Pandeiro - pandeiro
Celsinho Silva - percussão
Neco - cavaquinho




01 - Conversa de Botequim (Noel Rosa)
02 - Jongo (João Pernambuco)
03 - Escovado (Ernesto Nazareth)
04 - Alma de Violinos (Lamartine Babo / Alcyr Pires Vermelho)
05 - Um a Zero (Pixinguinha / Benedito Lacerda)
06 - Odeon (Ernesto Nazareth)
07 - Sons de Carrilhões (João Pernambuco)
08 - Segura Ele (Pixinguinha / Benedito Lacerda)
09 - Desvairada (Garoto)
10 - Graúna (João Pernambuco)
11 - Sonho de Magia (João Pernambuco)



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The Allman Brothers - 1973 - Brothers and Sisters



























Primeiro disco lançado pela banda sem nenhuma música do guitarrista Duanne Allman, morto pouco mais de um ano antes em decorrência de um acidente de moto. E também sem a presença do baixista Berry Oakley, morto alguns meses depois de Duanne, também em virtude de um acidente de moto e no mesmo local onde Duanne havia se acidentado.

A banda continuou suas atividades sob a liderança do pianista/tecladista Greg Allman, e incrementou o som trazendo uma tintura country, sem perder o lado blues. Allman Brothers manteve sua fama como a mais importantes banda de blues rock do sul dos Estados Unidos ao longo dos anos 70.



01. Wasted Words 4:20
02. Ramblin' Man 4:48
03. Come and Go Blues 4:55
04. Jelly, Jelly 5:46
05. Southbound 5:10
06. Jessica 7:31
07. Pony Boy 5:51


















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Lula Côrtes & Zé Ramalho - 1975 - Paêbirú































Na metade da década de 70 um forte movimento psicodélico se espalhou pelo Nordeste, com destaque para Pernambuco e Paraíba. Daí surgiram nomes que depois se tornariam mais conhecidos, como Alceu Valença, Zé Ramalho e Zé Geraldo. Mas a cena também gerou artistas nem sempre tão lembrados como Marconi Notaro, Flaviola e o Bando do Sol, Ave Sangria e o grupo Satwa. Psicodelia nordestina com elementos folclóricos e um pouco de misticismo. O tempo foi justo com o movimento psicodélico nordestino e ele foi redescoberto a partir de um disco um tanto misterioso que por ser raro, tem a cópia em vinil (unidade) cotada em R$ 4.000,00.

Paêbirú, lançado em 75 pela dupla Lula Côrtes e pelo então iniciante Zé Ramalho falava da chamada Pedra do Ingá, na Paraíba, pedra esta que contém inscrições de origem desconhecida (milenares, provavelmente), mas que supostamente fazem referência ao um certo Sumé, místico que teria passado pela região em tempos imemoriais. Sumé trilhava o Caminho do Paebirú e chegando a essa pedra na Paraíba, teria deixado as tais inscrições.

Todas as músicas giram em torno desse tema, o que faz de Paebirú um disco conceitual, isto é, um disco cujas músicas falam de um assunto específico ou contam um enredo (tendência que foi comum nos anos 60/70). Côrtes e Zé Ramalho pesquisaram alguns elementos da cultura indígena e misturaram uma forte carga de psicodelia. Bem forte, aliás. Órgão Hammond, guitarra fuzz, hard-mantras, temais instrumentais. Tudo num padrão quase garageiro que confere um clima espontâneo. Alceu Valença e Robertinho do Recife também participaram das sessões.

Gravado o disco, houve uma enchente do rio Capibaribe em Recife que inutilizou quase todos os produtos que estavam no depósito da gravadora Rozemblit. Sobraram 300 cópias de Paebirú que desapareceram pelo mundo, o que explica a alta cotação de um exemplar. Não foi relançado em CD.

Zé Ramalho prefere não falar sobre o disco, mas Lula Côrtes gosta muito.




01 - Trilha de Sumé (Zé Ramalho - Lula Côrtes)
Culto à terra (Lula Côrtes - Zé Ramalho)
Bailado das muscarias (Lula Côrtes - Zé Ramalho)
02 - Harpa dos ares (Geraldo Azevedo - Zé Ramalho - Lula Côrtes)
03 - Não existe molhado igual ao pranto (Zé Ramalho - Lula Côrtes)
04 - OMM (Zé Ramalho - Lula Côrtes)
05 - Raga dos raios (Zé Ramalho - Lula Côrtes)
06 - Nas paredes da pedra encantada, os segredos talhados por Sumé (Marcelo - Zé Ramalho - Lula Côrtes)
07 - Maracas de fogo (Zé Ramalho - Lula Côrtes)
08 - Louvação à Iemanjá / Regato da montanha (Zé Ramalho - Lula Côrtes)
09 - Beira mar (Zé Ramalho - Lula Côrtes)
10 - Pedra templo animal (Zé Ramalho - Lula Côrtes)
11 - Sumé (Zé Ramalho - Lula Côrtes)

























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Magma - 1973 - Mekanïk Destruktïw Kommandöh


























Magma foi uma banda francesa encabeçada pelo baterista e percussionista Christian Vander. De formação musical erudita, ele desenvolveu um enredo que é contado ao longo dos discos. Mekanik Destruktiv Kommandöh é a terceira parte da história que, em resumo trata de alguns humanos que fogem da Terra e buscam refúgio num planeta chamado Kobaïa. Lá eles encontram o povo local, os Kobaïans e o convívio aparentemente não é dos mais tranqüilos. É o que se pode interpretar das músicas, que são cantadas no dialeto Kobaïan, inventado por Vander.

Musicalmente a banda mistura os coros épicos de Carl Orff em Carmina Burana com algumas passagens no estilo Wagner. Tudo cimentado pelo jazz rock, mas sob uma perspectiva minimalista (de repetição de padrões rítmicos e frases melódicas). Uma acid-litania pagã. O canto acompanhado pelo coro é intenso, dramático, o grupo tem uma forte teatralidade.

A proposta do Magma foi tão diferente no cenário progressivo dos anos 70, que a partir dela se desenvolveu um estilo próprio, um subgênero de progressivo conhecido como Zehül, que em Kobaïan quer dizer "celestial".



01. Hortz Fur Dëhn Stekëhn West (9:34)
02. Ïma Sürï Dondaï (4:28)
03. Kobaïa Is De Hündïn (3:35)
04. Da Zeuhl Wortz Mekanïk (7:48)
05. Nebëhr Gudahtt (6:00)
06. Mekanïk Kommandöh (4:08)
07. Kreühn Köhrmahn Iss De Hündïn (3:14)



Christian Vander / drums, vocals, organ, percussion
Jannik Top / bass
Klaus Blasquiz / vocals, percussion
Jean-Luc Manderlier / piano, organ
René Garber / bass clarinet, vocals
Claude Olmos / guitar
Stella Vander / choir organik Kommandeuhr
Muriel Streisfeld, Evelyn Razymovski, Michele Saulnier, Doris Reihnardt, Stella Vander / choir
Teddy Lasry / brass organik Kommandeuhr, flute

























Walter Franco - 1976 - Revolver




























Walter Franco foi uma figura bastante participativa dos Festivais de música brasileira ainda na segunda metade dos anos 60. Em 72 inscreveu a música Cabeça no Festival da Canção da Rede Globo. Não era uma música no sentido tradicional da canção com estrofes e refrão e sim, uma colagem concretista de sons e nonsense. Só o fato de Cabeça haver se classificado para as finais já era curioso, mas o júri, composto entre outros por Nara Leão, Rogério Duprat, Décio Pignatari e Roberto Freire resolveu premiar a colagem experimental. A rede Globo substituiu o júri e premiou outra música. A polêmica possibilitou a Walter a gravação de seu primeiro disco, em 73: Ou não. Um emaranhado experimental concretista em que os sons e o sentido das palavras estão o tempo todo em jogo. Não há concessões, é um disco que pressupõe um ouvinte aberto e disposto, assim como outro disco lançado em 73, Araçá Azul, de Caetano Veloso, também repleto de experiências concretas.

Em 76, Walter Franco lança Revolver, um disco menos experimental, mas ainda assim bastante peculiar. Acompanhado por uma banda, Walter percorre os caminhos do hard rock, da vanguarda minimalista, da música oriental, psicodelia/progressivo e até mesmo um certo pré-punk. Ao mesmo tempo, consegue permanecer independente desses rótulos, até porque ninguém havia feito nada parecido com isso na MPB até aquele momento. O título Revolver refere-se ao verbo e a estrutura da música sugere realmente um movimento circular, idéia reforçada pela letra.

Walter brinca com as sílabas das palavras, com a forma de se entoar determinada frase. Até as pausas e respirações acabam tendo um papel informativo em sua música, como Cachorro Babucho e Toque Frágil.














Walter Franco sendo entrevistado por Lilian Lemmertz na TV Cultura (História da TV brasileira)




Walter Franco: vocal
Diógenes Burani - bateria e percussão
Rodolpho Grani Júnior - órgão, violão piano, baixo, craviola, guitarra e guitarra havaiana
Dudu Portes - Percussão
Tony Osanah - Flauta
Emílio carreira - Piano
Luis Paulo - Sintetizador e sintonizador



01- Feito Gente
02- Eternamente
03- Mamãe D´água
04- Partir do Alto / Animal Sentimental
05- 1 Pensamento
06- Toque Frágil
07- Nothing
08- Arte e Manha
09- Apesar de Tudo é Muito Leve
10- Cachorro Babucho
11- Bumbo do Mundo
12- Pirâmides
13- Cena Maravilhosa
14- Revolver

















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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Alphonse Mucha - 1860/1939 - Virtual Galleries










































sábado, 31 de outubro de 2009

Samuel Beckett - 1952 - Esperando Godot (Livro)















Johnny Murphy and Barry McGovern in the Gate Theater's production

of Samuel Beckett's Waiting for Godot. Photo Anthony Woods.



ESTRAGON. - O que fazemos agora?

VLADIMIR. - Esperar.

ESTRAGON. - Esperar.

(Silêncio.)

VLADIMIR. - E se fizéssemos ginástica?

ESTRAGON. - Nossos exercícios.

VLADIMIR. - De agilidade.

ESTRAGON. - De relaxamento.

VLADIMIR. - De rotação.

ESTRAGON. - De relaxamento.

VLADIMIR. - Para entrar em calor.

ESTRAGON. - Para nos tranqüilizar.

VLADIMIR - Venha.

(Começa a saltar. ESTRAGON lhe imita)

ESTRAGON. - ( Detendo-se.) Basta! Estou cansado.

VLADIMIR. - (Detendo-se.) Não estamos em forma. Entretanto, façamos alguns exercícios respiratórios.

ESTRAGON. - Eu não quero respirar.

VLADIMIR. - Tem razão. (Pausa.) Façamos agora a árvore, para o equilíbrio.

ESTRAGON. - A árvore?

(VLADIMIR, vacilando, faz uma árvore)

VLADIMIR. - (Detendo-se.) Agora, você.

(ESTRAGON, vacilando, faz a árvore)

ESTRAGON. - Crê que Deus me vê?

VLADIMIR. - Tem que fechar os olhos.

(ESTRAGON fecha os olhos e vacila mais intensamente.)

ESTRAGON. - (Detendo-se, ameaça com os punhos, a voz em grito.) Deus, tenha piedade de mim!

VLADIMIR. - (Ofendido.) E de mim?

ESTRAGON. - De mim! De mim! Piedade! De mim!






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Edgar Allan Poe - 1839 - A Queda da Casa de Usher (adaptação para quadrinhos)




























A Queda da Casa de Usher (Adaptação para Quadrinhos) - 1991

Série Classics Illustrated

Adaptação: P. Craig Hussell / Jay Geldhof





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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nino Rota - 1954 - La Strada (Soundtrack) + Coletânea + Homenagem















Giulietta Masina, como Gelsomina em A Estrada


La Strada - 1954

Direção - Federico Fellini

Roteiro - Federico Fellini/Tullio Pinelli/Ennio Flaiano


Elenco:

Giulietta Masina: Gelsomina

Anthonny Quinn - Zampanò

Richard Basehart - Il Matto (The Fool)



Trilha Sonora: Nino Rota


01 Tema della strada

02 Mi ha anche dato 10.000 lire

03 È arrivato Zampanò!

04 Gelsomina

05 La trattoria

06 Solitudine di Gelsomina

07 Il pranzo di nozze

08 Il bambino malato

09 Zampanò e la vedova

10 Io me ne vado!

11 I tre suonatori - La processione

12 Il matto sul filo

13 Il circo Giraffa

14 Gelsomina e il matto

15 Addio del matto

16 Il viaggio continua

17 Partenza dal convento

18 Zampanò abbandona Gelsomina

19 Zampanò sulla spiaggia - Finale





















Nino Rota - 1968/1973 - LSD Roma


01 - main titles toby dammit theme

02 - my name is toby dammit

03 - the demon child theme

04 - toby dammit's thoughts

05 - toby dammit at the tv show

06 - toby dammit theme slow fox

07 - the awards

08 - toby dammit's last act

09 - finale

10 - the awards alternate take featuring -two for tea-

11 - aria di roma - main titles

12 - transteverina (version 2)

13 - ecclesiastical fashion show (part 1)

14 - ecclesiastical fashion show (part 2)

15 - ecclesiastical fashion show (part 3)

16 - ecclesiastical fashion show (part 4)

17 - vitelloni's bar

18 - ballando con raquel

19 - tarantella grottesca

20 - passeggiata

21 - ninna nanna


Tracks 1-10 from Toby Dammit

(versão de Fellini para o conto Toby Dammit, de Edgar Allan Poe. Um curta metragem que fazia parte de um filme dividido em 3 histórias - Os outros dois contos foram dirigidos por Roger Vadin e Louis Malle).


Tracks 11-17 from Roma

Tracks 18-19 from Shoot Loud, Louder... I Don't Understand

Tracks 20-21 from Love And Anarchy


























I Compani - 1987 - Nino Rota's Music to the Films of Federico Fellini (Tribute)



01 Tutti va vedere il Rex
02 Mia Malinconia
03 La Passarella di Addio
04 Il Circo
05 La Strada
06 La Dolce Vita
07 L'oiseau Magique
08 Milano e Nadia
09 Ecclesiastical fashion show
10 Pin Penin
11 Nino

















Cena de (Fellini) 8 1/2 (1963)




Link 1 - Nino Rota - 1954 - La Strada

Link 2 - Nino Rota - 1968/1973 - LSD Roma

Link 3 - I Compani - 1987 - Nino Rota's Music to the Films of Federico Fellini





Nino Rota (Amarcord) - 1982 - Interpretations of Nino Rota's music from the Films of Federico Fellini


























Temas de Nino Rota para filmes de Fellini na interpretação de músicos experimentais.


  1. Amarcord, film score Theme
    Composed by N
    ino Rota

  2. Giulietta degli Spiriti (Juliet of the Spirits), film score Interlude
    Composed by N
    ino Rota
    with D
    ave Samuels

  3. 8 1/2, film score Theme
    Composed by Nino Rota

    with Carla Bley


  4. Work(s) Themes from La Dolce Vita and Juliet of the Spirits
    Composed by N
    ino Rota
    with D
    ave Samuels

  5. Giulietta degli Spiriti (Juliet of the Spirits), film score Theme
    Composed by N
    ino Rota
    with B
    ill Frisell

  6. La Dolce Vita, film score Suite
    Composed by N
    ino Rota
    with Claudio Roditi, Henry Threadgill, Warren Smith, Amina Claudine Myers, Fred Hopkins, Michael Sahl e Jay Hoggard

    Conducted by Muhal Richard Abrams


  7. Fellini's Satyricon, film score Theme
    Composed by N
    ino Rota
    with David Amram


  8. Roma, film score Theme
    Composed by N
    ino Rota
    with Steve Lacy


  9. Work(s) The White Sheik/I vitelloni/ il bidone/The Nights of Cabiria
    Composed by Nino Rota

    with Ron Carter, Winton Marsalis e Branford Marsalis

    Conducted by William G. Fischer


  10. La Strada (The Road), film score Theme
    Composed by Nino Rota




Homenagem ao compositor Nino Rota organizada pelo produtor Hal Willner. O projeto envolveu músicos de vanguarda como Carla Bley, Bill Frisell, Sharon Freeman, Deborah Harry (ex Blondie) e Wynton Marsalis interpretando de forma livre os temas dos filmes.





















Anita Ekberg como Sylvia Rank. La Dolce Vita, 1960



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Nino Rota - 1972 - The Godfather (Soundtrack)




























The Godfather - 1972 (O Poderoso Chefão)


Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Mario Puzo

Trilha Sonora: Nino Rota



Elenco
Marlon Brando: Don Vito Corleone
Al Pacino - Michael Corleone
Robert Duval: Tom Hagen
James Caan - Santino 'Sonny' Corleone
John Cazale - Friedo Corleone
Diane Keaton: Kay Adams
etc

























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Miles Davis - 1958 - Milestones




























O fato mais importante sobre esse disco é ele conter os primeiros experimentos modais gravados por Miles Davis. Eles acontecem na música Milestones (originalmente chamada Miles). O trompetista está lidando mais com o intervalo entre as notas do que com as frases melódicas em si. Nesse mesmo ano, alguns meses depois do lançamento de Milestone, o disco Kind of Blue iria fundo na experiência modal gerando uma gravação antológica, mas isso não tira o valor de Milestone, não o torna um simples esboço.


Pressentindo que sua sonoridades estava caminhando por outras direções, Miles resolveu fazer uma última homenagem ao bebop em três temas, a começar pela abertura com Dr. Jackle, de Jackie McLean. Two Bass Hit e Billy Boy fecham a trinca (sendo essa última, uma homenagem a Ahmad Jamal). A versão de Straight no Chaser, de Thelonious Monk mostra onde esse quinteto conseguia chegar. Gravação obrigatória (como quase toda a obra de Miles).



Miles Davis - Trompete e piano (música 2)
John Coltrane - Sax Tenor
Cannonball Adderley - Sax Alto
Paul Chambers - Baixo
Red Garland - Piano
Philly Joe Jones - Bateria


01 - Dr. Jackle
02 - Sid's ahead
03 - Two Bass Hit
04 - Milestones
05 - Billy Boy
06 - Straight, No Chaser






















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Joyce - 1980 - Feminina




















Joyce começou a aparecer para o público entre o final da década de 60 e o começo da de 70. Poderia se enquadrar numa espécie de 3a geração da bossa nova, mas essas divisões, como se sabe, cumprem uma finalidade didática. Fato é que Joyce, por ter nascido e vivido em Copacabana, era íntima do samba. Transitou pelo Clube da Esquina, lançou alguns discos e compactos.


Depois, durante a segunda metade da década de 70, Joyce otptou por cuidar da vida pessoal. Mãe de duas meninas, ela precisava de tempo para a família. Naturalmente continuou compondo e envolvida com música, mas de forma indireta. Quando Elis gravou uma música sua, Essa Mulher, Joyce sentiu que talvez fosse o momento de voltar à cena. Nem precisou pensar muito, pois uma composição sua, Clareana, foi classificada no Festival promovido pela TV Globo em 80. Falando de forma simples e com ternura sobre suas filhas, cativou o público, mas não levou o Festival. Serviu, no entanto, para apresentar Joyce a um público maior. Ela aproveitou então o momento e lançou o disco Feminina. Quem adquiriu o disco pensando que iria encontrar canções doces e delicadas como Clareana, talvez tenha se surpreendido, porque ele também apontava outras direções.


O disco apresenta dois sambas-jazz de respeito (Feminina e Banana). Vem com Mistérios, uma música que fala da paixão, mas não em seu momento de fervor, e sim no seu estágio reflexivo, no instante da ponderação. Interessante ver como ficou Essa mulher na voz de Joyce. Aldeia de Ogum, por sua vez, poderia estar em qualquer disco de instrumental brasileiro daquele período. Não é pra menos: Joyce contou (e conta) com a colaboração de Tutti Moreno, seu marido, na bateria. Tutti inclusive é homenageado na música Da Cor Brasileira.


Em síntese, um disco tranqüilo, bem feito e com muita brasilidade.



01 - Feminina

02 - Mistérios

03 - Clareana

04 - Banana

05 - Revendo Amigos

06 - Essa Mulher

07 - Coracão de Crianca

08 - Da Cor Brasileira

09 - Aldeia de Ogum

10 - Compor



Joyce - voz, violão, arranjos
Fernando Leporace - Baixo e voz
Tuti Moreno - Bateria e percussão
Mauro Senise - Flauta e sax
Lize Bravo - vocal
Claudio Guimarães - guitarra
Gilson Peranzzetta - arranjos
Helio Delmiro - violão
Paulo Guimaraes, Jorginho, Danilo Caymmi - flauta
Mauricio Maestro - arranjos
Helvius Vilela - piano


































Manu Dibango - 1973 - Africadelic



























O saxofonista Manu Dibango nasceu em Camarões. Nos anos 60 participou do combo African Jazz e no início dos 70 fez um hit mundial com a música Soul Makossa (um tema que na verdade, tinha pouco do real ritmo makossa, mas foi decisivo para colocar a música africana em projeção). Um trabalho semelhante ao que fazia Fela Kuti (já abordado no blog), mas sem o mesmo engajamento político.

Em 73 lançou Africadelic, cantos e ritmos tribais eletrificados. E com a presença de metais dando um clima big band ao conjunto. Clássico da música black 70, Africadelic foi lançado como um projeto para rádio e tv, da mesma forma que African Voodoo, um ano antes.



01 - The Panther
02 - Souk Fiesta
03 - Africadelic
04 - African Battle
05 - Black Beauty
06 - African Carnaval
07 - Moving Waves
08 - Afro-Soul
09 - Oriental Sunset
10 - Monkey Beat
11 - Wa-Wa
12 - Percussion Storm



























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Back Door - Vienna Breakdown (1972) & 8th Street Nites (1973)




























Back Door foi um trio formado no norte da Inglaterra em 71. Um trio diferente, composto por baixo, saxofone e bateria. Os músicos se apresentavam na região de Yorkshire em pubs e festivais. Depois de várias negativas por parte de gravadoras, resolveram lançar um disco independente. Esse disco recebeu uma resenha favorável do New Musical Express e, algumas semanas depois Back Door se tornou a banda de abertura nas apresentações de Chick Corea pela Inglaterra. A Warner relançou o disco numa tiragem maior.

Essa ascenção fulminante teve por motivo a combinação do sax tresloucado de Avery com a linhas de baixo impossíveis de Hodgkinson. Claro que nada faria sem sentido sem a argamassa de Tony Hicks na bateria. Apesar da banda ser do norte da Inglaterra, o que se ouve não é progressivo, e sim jazz-rock-funk dos mais inventivos. O disco inteiro funciona bem, temas não muito longos, todos provocativos, com algum toque de estranhamento. Difícil destacar uma música, mas não há como deixar de citar Slivadiv, funk-rock pesado em que o sax simula um galináceo. Vienna Breakdown e Plantagenet também mostram levadas funk alteradas e Waltz for a Wollum faz brincadeiras melódicas que lembram Zappa.


A música 9, Catcote Rag, mostrava Hodgknson àquela altura (72/73), como um bom sucessor de Jack Bruce, e o disco todo parecia apontar um futuro promissor, mas a Warner, com quem a banda havia assinado um contrato, exigiu nas gravações posteriores que eles usassem vocais. Isso foi providenciado com algum esforço pelo próprio Hodgkinson. Em 73 foi lançado 8th Street Nites que confirmava as qualidades do disco anterior. Com produção de Felix Pappalardi (músico da banda Mountain que já trabalhara na produção do Cream), o segundo disco também foi um apanhado de virtuosismo permeado por um clima de jazz-beatnik. Apesar de todo o alvoroço em torno do trio, a Warner preferiu não investir muito e eles passaram 74 e 75 atuando como banda de apoio. Em 77 a banda encerrou as atividades.

A conexão natural que vem à mente é com o grupo Morphine que, nos anos 90 se utilizou da mesma formação Baixo/Sax/Bateria e também apostando em "estranhamentos sonoros". A diferença é que o Morphine acrescentou noise, e assim falou a linguagem do seu tempo.

Back Door merecia ter tido o mesmo destaque de outros grupos ingleses de jazz-rock como Nucleus, mas seus discos permaneceram fora de catálogo por mais de 30 anos. Igualmente pouco comentado na internet, Back Door mantém sua aura de "grupo maldito".



Vienna Breakdown (1972)

01 - Vienna Breakdown
02 - Plantagenet
03 - Lieutenant Loose
04 - Askin' the Way
05 - Turning Point
06 - Slivadiv
07 - Jive Grind
08 - Human Bed
09 - Catcote Rag
10 - Waltz for a Wollum
11 - Folksong
12 - Back Door



8th Street Nites (1973)

01 - Linin' Track
02 - Forget Me Daisy
03 - His Old Boots
04 - Blue Country Blues
05 - Dancin' In The Van
06 - 32-20 Blues
07 - Roberta
08 - It's Nice When It's Up
09 - One Day You're Down, The Next Day Your Down
10 - Walkin' Blues
11 - The Bed Creaks Louder
12 - Adolphus Beal


Colin Hodgkinson - Baixo
Tony Hicks - Bateria
Ron Aspery - Sax


















Link 1 - Vienna Breakdown (1972)

Link 2 - 8th Street Nites (1973)


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Focus - 1973 - Live at The Rainbow























Focus foi o mais conhecido grupo do rock progressivo holandês nos anos 70. Seu primeiro disco não chamou atenção, mas Moving Waves (72), abriu todas as portas para a banda. O lado A era puxado pelo hit Hocus Pocus um hard rock composto por frases violentas de Jan Akkerman na guitarra, alternadas com os agudos em falsete de Thjis van Leer (emulando o estilo folclórico Yodel). O lado A fechava com Moving Waves e Focus, dois temas emblemáticos da banda. O lado B era composto pela suíte Eruption - uma boa suíte que colocava o Focus em igualdade com muitos progressivos ingleses.


É nesse estado de espírito que a banda grava Focus 3, disco duplo que traz Sylvia, Focus III, Answers! Questions? Answers!, além da suíte jazzística Anonymus Two. Apesar de alguns exageros, o disco tem boa receptividade. A banda resolve então lançar um ao vivo e o show escolhido foi o do Rainbow Theater em Londres, gravado em maio de 73. Independente de tudo que o Focus já havia feito antes ou veio a fazer depois, Live at Rainbow permanece como uma das melhores performances ao vivo de todos os tempos.




Jan Akkerman - guitarra
Bert Ruiter - baixo
Pierre van der Linden - bateria
Thijs van Leer - teclados, flauta, vocal



01 - Focus III (03:54)
02 - Answers? Questions! Questions? Answers! (11:38)
03 - Focus II (04:27)
04 - Eruption: (08:29)
a) Orfeus
b) Answer
c) Orfeus
d) Answer
e) Pupilla
f) Tommy
g) Pupilla
05 - Hocus Pocus (08:29)
06 - Sylvia (02:48)
07 - Hocus Pocus (reprise) (02:47)





























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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Lou Donaldson - Alligator Bogaloo (1967) & Midnight Creeper (1968)




























A gravadora Blue Note quase sempre é lembrada por ter sido a responsável por algumas das sessions mais importantes da história do jazz, mas a Blue Note também investia firme no grande público e, pra conseguir bons resultados mantinha um cast de músicos que experimentavam a mistura funk jazz aprendida nas lições de James Brown. Um desses músicos era o saxofonista Lou Donaldson.

Experiente, Lou trabalhou com Charlie Parker, entre outros. Suas capas de discos com modelos se tornaram famosas. Em 67 estourou com o disco Alligator Bogaloo, uma levada jazz sobre uma estrutura blues acrescida de um toque latino. Som fluido, calmo, de notas espaçadas. O ambiente perfeito para o então jovem guitarrista George Benson que consegue ser sutil até mesmo quando usa a velocidade. Mas quem ocupa realmente um espaço de destaque no disco é o organista Lonnie Smith. O som do instrumento aparece com vigor em quase todas as músicas - às vezes na medida certa, às vezes não.

A boas vendagens de Alligator Bugaloo fizeram com que Lou Donaldson lançasse alguns discos seguindo os mesmos moldes (e sempre com o órgão em destaque), mas entre esses registros, Midnight Creeper chama atenção. A presença de Blue Mitchell no trompete deu mais agilidade e coesão ao grupo, e fez desse disco um difusor do jazz junto a públicos não familiarizados. Só por Bag of Jewels, o disco já se justificaria.



Alligator Bogaloo - 1967

01 - Alligator Bogaloo
02 - One Cylinder
03 - The Thang
04 - Aw Shucks!
05 - Rev. Moses
06 - I Want A Little Girl



Midnight Creeper - 1968
Capa (abre no explorer)

1 - Midnight Creeper
2 - Love Power
3 - Elizabeth
4 - Bag of Jewels
5 - Dapper Dan



Lou Donaldson - Sax Alto
Blue Mitchell - Trompete
Lonnie Smith - Órgão
Leo Morris - Bateria
George Benson - Guitarra






















Link 1 - Alligator Bogaloo (1967)

Link 2 - Midnight Creeper (1968)



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Quinteto Armorial - 1974 - Do Romance ao Galope Nordestino
























O Movimento Armorial está ligado às concepções estético-históricas do escritor Ariano Suassuna, autor de A Pedra do Reino e Auto da Compadecida. Essencialmente o movimento consiste na valorização de uma cultura popular legítima, uma cultura sem o predomínio de manifestações que surjam por idealização da mídia ou do mercado cultural.

A partir dessa premissa, o movimento pretende uma reavaliação da cultura sertaneja do nordeste sob o prisma da herança pós medieval trazida por alguns colonizadores. Durante um período na Idade Média, algumas regiões da Espanha foram dominadas pelos árabes, o que gerou uma confluência de informações. Essa mistura chegou ao Brasil durante o período colonial e acabou se intensificando ainda mais.

Essa foi e tem sido a tônica do Movimento Armorial, que ganhou força em Pernambuco pelo fato de Suassuna ter assumido cargos de gestão cultural naquele estado. Ele não esconde seu desconforto com o que vê como uma inserção exagerada dos produtos culturais estrangeiros, fenômeno que diluiria o comportamento e a tradição cultural do povo. Em verdade, muitas vezes seu discurso chega a ser um pouco messiânico e ele já se envolveu em debates públicos. Um desses debates, por exemplo, foi com Caetano Veloso a quem acusou de fazer o jogo da indústria ao mencionar produtos como Coca-Cola em suas músicas. Caetano rebate que sua visão também busca a valorização do popular mas sob um prisma "antropofágico", descendente das idéias modernistas de Oswald de Andrade. De fato, o pensamento de Suassuna está mais em consonância com o de outro modernista, Mário de Andrade, que possuía uma visão mais nacionalista do problema da massificação.


Para entender melhor o Movimento Armorial, sugiro esse texto http://www.unicap.br/armorial/movimento/produtos/amusica-armorial.pdf


Teorias à parte, a música feita pelo Quinteto Armorial está entre as melhores coisas dos anos 70 no cenário brasileiro. Um conjunto de câmara popular que estabelece as relações entre a linguagem erudita e os "toques ásperos, desafinados, arcaicos, acelerados, como gumes de faca-de-ponta", como diz o própio Suassuna no texto da contra-capa. Impressiona notar as similaridades entre os ritmos nordestinos e a música oriental, que como foi dito, misturou-se à música espanhola na Idade Média e aportou na América durante a Idade Moderna. Esse sincretismo explica porque muitas vezes uma toada nordestina remete à música árabe ou às ragas indianas.


Primeiro disco de quatro lançados pela gravadora Marcus Pereira.

















Antonio José Madureira: viola sertaneja
Edilson Eulálio: violão
Fernando Torres Barbosa: marimbau nordestino
Egildo Vieira: pífano, flauta
Antonio Carlos Nóbrega de Almeida: rabeca, violino


1 - Revoada (Antônio José Madureira)
2 - Romance da Bela Infanta (Romance ibérico do século XVI, recriado por Antonio José Madureira)
3 - Mourão (Guerra Peixe)
4 - Toada e Desafio (Capiba)
5 - Ponteio Acutilado (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida)
6 - Repente (Antonio José Madureira)
7 - Toré (Antonio José Madureira)
8 - Excelência (Tema nordestino de canto fúnebre, recriado por Antonio José Madureira)
9 - Bendito (Egildo Vieira)
10 - Toada e Dobrado de Cavalhada (Antonio José Madureira)
11 - Romance de Minervina (Romance nordestino, provavelmente do século XIX, recriado por Antonio José Madureira)
12 Rasga (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida)



























Chess: Psychedelic Jazz and Funky Grooves - 2005























Chess Psychedelic Jazz and Funky Grooves

01 - Rotary Connection - Tales Of Brave Ullysess
02 - Phil Upchurch - Cross Town Traffic
03 - Woody Herman - I Can't Get Next To You
04 - Marlene Shaw - Woman Of The Ghetto
05 - Dorothy Ashby - Afro Harping
06 - The Soulful Strings - Listen Here
07 - Ramsey Lewis - Do Whatever Sets You Free
08 - Solomon Burke - Thanks I Needed That
09 - Reuben Wilson - Tight Money
10 - Woody Herman - Its Your Thing
11 - John Klemmer - Third Stone Frome The Sun
12 - Solomon Burke - Everlasting Love
13 - Bo Diddley - Bad Trip
14 - Muddy Waters - Tom Cat
15 - The Soulful Strings - I Wish It Would Rain
16 - Ramsey Lewis - Les Fleur
17 - Rotary Connection - I Am The Black Gold Of The Sun





























Rotary Connection



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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Art Ensemble of Chicago - 1970 - Les Stances a Sophie




























Combo jazzístico surgido, como esclarece o nome, na cidade de Chicago. Mas foi em Paris que eles acrescentaram o nome da cidade ao da banda. Experimentações de vanguarda, misturas étnico-folclóricas, o Art Ensemble of Chicago é o grupo de funk jazz do qual se pode esperar o inusitado.


Em 70 lançaram Las Estances a Sophie, em companhia da cantora Fontella Bass, esposa do trompetista Lester Bowie. O disco foi gravado em Paris, e mostra a banda absorvendo novas linguagens como se pode perceber nas duas versões feitas para o tema do compositor italiano Claudio Monteverdi. As experimentações free-vanguardistas que fizeram a fama do AEC aparecem em profusão em Theme de Celine e Theme Libre. Mas sem dúvida, a música mais marcante é a que abre o disco: Theme de Yoyo, com seu groove matador, suas desconstruções repentinas e abruptos retornos ao tema original. Tornou-se um clássico instantâneo

Gravado como trilha sonora de um filme francês, Les Stances a Sophie dá continuidade à tradição de filmes franceses que receberam tratamento sonoro por parte de grupos de jazz, a começar por Ascenseur pour L'Echafaud (57) filme de Louis Malle com trilha sonora de Miles Davis.



Malachi Favors Maghostut - Baixo, vocais e percussões
Joseph Jarman - Clarinete, sax e percussões
Roscoe Mitchel - Clarinete, sax, flauta e percussões
Fontella Bass - Vocal e piano
Lester Bowie - Trompete e percussões
Don Moye - Bateria e percussões



01 - Theme de Yoyo (09:10)
02 - Theme de Celine (03:04)
03 - Variations Sur un Theme de Monteverdi I (03:02)
04 - Variations Sur un Theme de Monteverdi II (01:50)
05 - Proverbes I (02:38)
06 - Theme Amour Universal (03:51)
07 - Theme Libre (08:49)
08 - Proverbes II (01:22)





















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Embryo - 1972 - Father Son and Holy Ghosts

















Embryo surgiu na cidade de Munique na Alemanha em 1969. Daquele ano até hoje já passaram mais de 400 músicos pelo grupo, mas as figuras centrais sempre foram o organista Christian Burchard e o saxofonista Edgar Hoffmann. Banda seminal do movimento krautrock, o Embryo começou fazendo psicodelia undergound, depois se encaminhou para o jazz rock e no final dos anos 70, resolveu assumir um caráter de world music experimental que já era pressentido nos discos anteriores. A banda sempre contou com a colaboração de músicos influentes como Charlie Mariano e Mal Waldron.

O disco Father Son and Holy Ghosts foi lançado em 72. Disco de transição que já mescla jazz rock, psicodelia e os temas étnico-folclóricos que a banda exploraria ao longo dos anos 70. Em certos momentos parece a mistura exata entre dois discos de Miles Davis: o Jack Johnson Tribute (71) e o On the Corner (72), mas com um tempero Krautrock.



01 - The Special Trip (5:56)
02 - Nightmares (0:58)
03 - King Insano (4:48)
04 - Free (6:19)
05 -The Sun Song (8:48)
06 - Marimbaroos (2:56)
07 - Forgotten Sea (9:09)



Christian Burchard - drums, vibes, percussion, marimbaphone, vocals

Edgar Hofmann - violin, soprano saxophone

David King - bass, flute, alto marimba, vocals

Sigi Schwab - acoustic & electric guitars, veena, tarang

























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Vento Frio Chuva - Curitiba - 08/11/2009 e 15/11/2009











http://www.ventofriochuva.tk/


Néctar 5 (fanzine) - 2001




























Néctar 5 (1o semestre de 2001)


Textos

Flávia Saut - Resgate

João Cândido Martins - A Cognição

Marcelo Brum Lemos - Alice vira Lucy?


Ilustrações: Flávia Saut